INDO AO PONTO I

O MISTÉRIO DA FAZENDA SANTO ESTICA

Quando escrevi a história titulada “O mistério da fazenda Santo Estica” certo mal não existia. No entanto, outras males obviamente existiam. Tanto que o diálogo entre os dois personagens girava sobre a indignação da predisposição ordinária de certas mentes: “O que me preocupa, tia, é porque envolve o maior patrimônio da vida.” “O que seria o maior patrimônio da vida, Milena?” “O oxigênio. Um suposto louco conseguiu neutralizá−lo.”
No município de Timbrado, trabalhadores, ao realizarem levantamento dos bens da fazenda Santo Estica, que seria desapropriada, se deparam-se com uma monstruosa construção de cimento. O trambolho, media dois metros de altura, seis de largura e quinze de comprimento. Não havia nenhum tipo de acesso. Uma escada foi providenciada e subiram. Ao longo da laje, havia visores de vidro. Limparam os visores e, ao espiarem através dos transparentes, observaram corpos intactos e uma garrafa rompida. O prefeito de Timbrado foi convocado. Vistoriou e achou por bem comunicar o fato ao governador do estado. Autoridades, ao visitaram o local, decidiram interditar a área para que estudos fossem realizados. Durante a realização dos estudos a seleta equipe de cientistas foi informada que ao sul a vinte metros distantes do trambolho havia uma pequena construção. Investiram na informação quando toparam com uma tampa de concreto no solo. Erguida prepararam-se para descer. Caíram numa “sala”. No quadro−negro, havia uma longa equação que misturava biologia, química e física. O líder da equipe, ao interpretá−la, empalideceu e transmitiu para os demais que seria possível neutralizar o oxigênio. O desconhecido, que certamente seria cientista, havia conseguido neutralizá−lo. Reviraram o local e encontraram cadernos com anotações. O louco explicava como a vida havia sido dizimada há milhões de anos: aqueles elementos químicos da equação circulavam livremente, num pântano. Agregando−se num fenômeno histórico. A neutralização do oxigênio se expandiu na velocidade da luz. Severo vácuo global se formou atraindo milhares de meteoritos e gigantescos asteroides. Dizimou a vida, inclusos os dinossauros… Meditaram por longos minutos…Havia um túnel. Um deles, de quatro, porque só assim seria possível, ali se enfiou. Ao retornar, afirmou que finalizava com o acesso para a câmara que estava rigorosamente vedada. A equipe concluiu o que havia acontecido foi uma péssima experiência. A reação talvez tivesse sido iniciada com o rompimento da garrafa e que talvez ainda estivesse latente. As cobaias certamente acessaram o trambolho através daquele espaço… Nem mesmo milimétrica fração de oxigênio podia penetrar na câmara ou dali escapar a reação adormecida. “Então, tia, para que não fosse futucado por um imbecil, decidiram que o túnel seria preenchido com cimento. O quadro−negro e os cadernos seriam queimados e o trambolho isolado e eternamente vigiado.” “A inteligência do ser humano, Milena, muitas vezes, me assusta.” “A mim também, tia.”